Planejamento e fé: como empreender com propósito

Feb 2, 2026

Lucas Martinez

Início de ano sempre traz aquela energia de recomeço. Lista de metas, planejamento do ano, palavras do ano, promessas de que dessa vez vai ser diferente. Eu também faço isso. Gosto de planejar, de ter clareza sobre onde quero chegar.

Mas se tem uma coisa que aprendi nos últimos anos é que planejar é essencial. Só que nem sempre o plano é nosso.

Existe uma diferença entre ter um plano e achar que controla o destino. E essa diferença muda completamente a forma como você empreende.


Quando o plano desmorona

Em 2020, eu tinha tudo mapeado. Carreira acadêmica na arquitetura, estabilidade, um caminho claro pela frente. Anos de estudo, mestrado, docência. O roteiro estava escrito.

Aí veio uma pandemia. Um casamento no meio do caos. Uma mudança completa de direção. Nada do que eu tinha planejado aconteceu do jeito que imaginei.

No papel, parecia fracasso. Na prática, foi redirecionamento.

Hoje tenho três filhos, um negócio que amo e uma clareza sobre meu propósito que eu não teria encontrado se tivesse insistido no plano original. O caminho foi mais difícil, cheio de incertezas, mas infinitamente mais alinhado com quem eu sou.

Isso não é romantizar o caos. É reconhecer que às vezes o que parece desvio é, na verdade, o caminho.


Planejamento não é controle

Existe uma confusão comum entre planejar e controlar.

Planejar é fazer sua parte com o que está ao seu alcance. É estudar o mercado, definir metas, estruturar processos, executar com disciplina. Isso é responsabilidade. Isso é profissionalismo.

Controlar é achar que se você fizer tudo certo, o resultado está garantido. É fechar o punho em volta do plano e não aceitar nenhum desvio. É tratar imprevistos como falhas pessoais.

O problema do controle é que ele não funciona. O mercado muda. Clientes desaparecem. Oportunidades surgem onde você não esperava. A vida acontece no meio do planejamento.

Empreendedores que só sabem controlar quebram quando o plano quebra. Empreendedores que planejam com mãos abertas se adaptam, aprendem, encontram novos caminhos.


Mãos abertas versus punho fechado

Essa imagem me ajuda a entender a diferença.

O punho fechado quer controle absoluto. Segura o plano com força, como se pudesse forçar a realidade a obedecer. Quando algo sai do roteiro, a reação é resistência, frustração, paralisia.

As mãos abertas entendem que a gente planta, mas quem dá o crescimento é outro. Fazem a parte delas com excelência, mas aceitam que o resultado final não depende só de esforço humano.

Isso não é passividade. É o contrário. É fazer tudo que está ao seu alcance e, ao mesmo tempo, ter humildade para reconhecer que você não controla tudo.

Na prática, isso se traduz em planejamento com margem. Estratégia com flexibilidade. Execução com entrega.


O papel da fé no empreendedorismo

Empreender exige estratégia. Exige método, disciplina, execução. Mas também exige uma dose de confiança que não vem só das suas capacidades.

Fé, no contexto dos negócios, não é acreditar que tudo vai dar certo magicamente. É ter a segurança de que, independente do resultado, existe um propósito maior guiando sua jornada. É conseguir agir mesmo sem ter todas as respostas. É aceitar redirecionamentos sem interpretar como fracasso.

Alguns dos melhores empreendedores que conheço têm essa característica em comum. Trabalham duro, planejam com rigor, executam com disciplina. Mas não carregam o peso de achar que tudo depende exclusivamente deles.

Essa leveza não é irresponsabilidade. É sabedoria. É entender que fazer sua parte é obrigação, mas o resultado final envolve variáveis que você não controla.


Deixe espaço no plano

Enquanto você define suas metas para o ano, te convido a fazer uma coisa a mais.

Deixe um espaço no plano.

Um espaço para o inesperado. Para o redirecionamento que você não previu. Para a oportunidade que vai surgir de onde você não esperava. Para a providência.

Isso não significa planejar menos. Significa planejar com consciência de que o plano é ferramenta, não destino. Que metas são direção, não prisão. Que o caminho pode mudar sem que o propósito se perca.

Planeje com fé. Execute com entrega. E confie que o que é pra ser seu vai te encontrar, mesmo que por um caminho que você nunca teria escolhido.


O equilíbrio entre ação e entrega

Não é sobre deixar de planejar. É sobre planejar de um jeito diferente.

Com estratégia, mas sem rigidez. Com metas, mas sem obsessão. Com disciplina, mas sem angústia. Com responsabilidade, mas sem a ilusão de controle total.

Empreender é plantar. Regar. Cuidar. Fazer a parte que cabe a você com excelência. E aceitar que o crescimento tem seu próprio tempo, seu próprio ritmo, seu próprio caminho.

Às vezes o melhor plano é aquele que você não fez. E tudo bem. O propósito continua. A jornada continua. A construção continua.

Com mãos abertas, você consegue receber o que vem.